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24/11/2018 às 16h02m

Julgamento dos canibais de Garanhuns é adiado após advogados abandonarem a sessão do Tribunal do Júri

O julgamento do grupo, que ficou conhecido nacionalmente por matar as vítimas e comer a carne delas, foi adiado para o dia 14 de dezembro

canibais

A espera ainda não terminou para as famílias de Giselly Helena da Silva e Alexandra da Silva Falcão, que foram vítimas de Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, Isabel Cristina Pires da Silveira e Bruna Cristina Oliveira da Silva. O julgamento do grupo, que ficou conhecido nacionalmente por matar as vítimas e comer a carne delas, foi adiado para o dia 14 de dezembro após os advogados de Bruna e Isabel deixarem o plenário do 1º Tribunal do Júri da Capital na manhã desta sexta-feira (23), perante os protestos da acusação e do juiz que presidia a sessão. Já o advogado que representa Jorge havia informado, com antecedência, que não poderia comparecer ao julgamento por motivo de saúde, tendo apresentado atestado médico.

Diante da iniciativa da defesa de abandonar o plenário, o promotor de Justiça André Rabelo requereu ao juiz Ernesto Bezerra Cavalcanti enviar ofício à Ordem dos Advogados do Brasil informando sobre a conduta dos advogados Leandro Levi dos Santos Silva e Madson Aquino (defesa da ré Isabel) e Rômulo Lyra da Silva e Ianara Monteiro Rodrigues (defesa da ré Bruna), bem como a designação de defensores públicos para atuar na defesa das rés na data marcada para o julgamento. Os dois pedidos foram acatados pelo magistrado, que ainda determinou o envio de ofício ao Ministério Público para instauração de procedimento a fim de investigar possível prejuízo ao erário público devido à decisão dos advogados, que inviabilizou a realização do julgamento.

“Em 30 anos de carreira, nunca vi algo assim. O juiz cumpriu o que determina a lei: como a defesa de Jorge não compareceu, mas apresentou atestado médico, ele dividiu o julgamento, mantendo a sessão para Isabel e Bruna e remarcando apenas para Jorge. As defesas das outras duas acusadas argumentaram em favor de que o julgamento ocorresse ao mesmo tempo para os três réus e tiveram seu pleito indeferido pelo magistrado; isso é algo normal, passível de acontecer no júri. Porém, a partir daí, eles optaram por uma atitude impensada, que foi se levantar e ir embora sem nenhuma explicação, do ponto de vista legal e até humanitário. Agiram como advogados por mais de um ano, representaram as clientes e receberam por isso, para no dia do julgamento deixar as rés completamente indefesas. Esperamos que, no dia 14 de dezembro, elas possam contar com a assistência da Defensoria Pública, que tem um quadro muito habilitado e que não se prestará a esse papel”, criticou André Rabelo.

O assistente de acusação Cláudio Cumaru, que representa a família da vítima de Giselly, registrou o sentimento de perplexidade com o adiamento do júri. Segundo ele, o fato foi “um constrangimento imenso para a família, que vem de uma espera interminável por uma resposta e nesse momento tem esse sentimento frustrado”.

O novo julgamento será realizado no dia 14 de dezembro, a partir das 9h, no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, no bairro da Joana Bezerra, no Recife.
 

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