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19/11/2018 às 17h31m - Atualizado em 19/11/2018 às 20h48m

Morre ex-major da PM conhecido pelo 'Escândalo da Mandioca'

O Major Ferreira, como ficou conhecido, foi condenado pela morte do procurador Pedro Jorge, que ofereceu as denúncias e cobrou apuração do caso

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Morreu na manhã desta segunda-feira (19), o ex-major da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) José Ferreira dos Anjos, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Caxangá, no Recife. Aos 75 anos, ele sofreu uma parada cardíaca durante o atendimento. Os médicos tentaram reanimá-lo, sem sucesso.

O major foi apontado como um dos envolvidos no Escândalo da Mandioca, um desvio de recursos para agricultura oferecidos pelo governo federal no Sertão de Pernambuco, na década de 1980. E foi preso por participar da morte do procurador Pedro Jorge Melo e Silva, que investigava o caso. O crime ocorreu em 1982, em, Olinda. Ferreira ficou mais de 12 anos foragido e foi recapturado em 1995. O Major Ferreira estava em liberdade desde 2003, pois recebeu um indulto presidencial, após cumprir 10 anos, sete meses e 13 dias de pena.

Segundo nota, o Major Ferreira chegou na Upa às 8h15 da manhã reclamando de dores no peito. Encaminhado para a sala vermelha, ele sofreu paradas cardíacas e veio a óbito às 9h15 da manhã. O corpo de José Ferreira está no serviço de verificação de óbito, que ainda vai confirmar a causa da morte.

"Na unidade, foi imediatamente encaminhado para sala vermelha, logo após a sua entrada, durante o ECG, apresentou parada cardíaca. A equipe médica fez o procedimento de reanimação por 50 minutos e o paciente não resistiu e veio a óbito. O corpo do paciente foi encaminhado para o SVO (serviço de verificação de óbitos/hospital das clínicas) para determinação a causa da morte”, diz a nota assinada pela diretora clínica da Upa da Caxangá, Audrey Vasconcelos.

O caso

O Escândalo da Mandioca ocorreu entre os anos de 1979 e 1981 na agência do Banco do Brasil de Floresta, resultando no desvio de Cr$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 20 milhões em valores atuais)  do Proagro — programa de incentivo agrícola criado pelo governo federal em 1973. O golpe consistia na obtenção de documentos falsos para conseguir créditos agrícolas para o plantio de mandioca, feijão, cebola, melão e melancia em propriedades fictícias, e por agricultores fantasmas. Em seguida, os envolvidos alegavam que a seca destruiu as plantações, para que o Proagro ainda pagasse o seguro, item também previsto no programa governamental.

A fraude contou com a participação de funcionários do Banco do Brasil, incluídos gerentes e fiscais da carteira agrícola, um deputado estadual e um major da Polícia Militar, dentre outros envolvidos. Segundo as investigações, o dinheiro era utilizado na compra de carros, casas, terrenos, fazendas, viagens, entre outros. O Ministério Público Federal denunciou, à época, 24 pessoas pelos crimes de peculato, corrupção ativa e corrupção passiva, entre elas o então Major Ferreira, condenado pelo assassinato do procurador da República Pedro Jorge de Melo, que ofereceu as denúncias e cobrou apuração do caso.

Em 2017, o Escândalo da Mandioca, ficou conhecido pelo jovem público num documentário sobre o assassinato do procurador Pedro Jorge. O curta-metragem “Pedro Jorge: uma vida pela justiça” foi produzido pela Procuradoria Regional da República da 5ª Região, no Recife, em parceria com a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). 

“O pistoleiro Elias Nunes Nogueira disparou três tiros contra o procurador, a mando do ex-major José Ferreira dos Anjos, um dos beneficiados pelo esquema de corrupção que estava sendo investigado por Pedro Jorge. Ele já vinha sofrendo ameaças dos denunciados e pressões para abandonar o caso, mas decidiu seguir em frente com seu trabalho e acabou morto”, lembra o Ministério Público Federal no lançamento.

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