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11/11/2016 às 09h06m

Moradores de Itamaracá penam em busca de atendimento em hospital

A falta de profissionais deixa as salas e consultórios vazios e leitos desocupados. Por isso, dezenas de pacientes são obrigados a voltar para casa sem atendimento.

O Hospital e Maternidade Alzira Figueiredo de Andrade Oliveira, no bairro do Pilar, é o único da Ilha de Itamaracá, no Grande Recife, cidade onde vivem 25 mil habitantes. Esta semana, a unidade de saúde ficou sem médicos por três dias seguidos. A falta de profissionais deixa as salas e consultórios vazios e leitos desocupados. Por isso, dezenas de pacientes foram obrigados a voltar para casa sem atendimento.

Os funcionários que ainda dão expediente na unidade se queixam de quase três meses de salários atrasados. Esse é mais um problema enfrentado pela população em meio a uma grave crise na gestão pública. O ex-prefeito Paulo Batista (PTB) foi afastado do cargo por suspeita de participar de um esquema que teria desviado R$ 11 milhões dos cofres da prefeitura.

Na segunda-feira (7), a equipe da TV Globo esteve no hospital pela primeira vez. Na recepção, um funcionário avisou que não havia médico no hospital, apenas uma enfermeira. Emergência e ambulatório estavam sem atender a população. A falta de profissionais começou no domingo (6), atravessou os plantões noturnos e se repetiu até a terça-feira (8).

A dona de casa Wilma Manta, com suspeita de hérnia de discos e sentindo fortes dores, foi por dois dias seguidos no hospital e não encontrou médicos. Marcou consulta para sexta-feira (11), mas foi advertida pelos servidores de que não é certo que neste dia terá atendimento na unidade de saúde.

“Vim marcar um ortopedista, mas não tem médico para atender. Itamaracá está abandonada. É um absurdo. Entrei no hospital para beber água e havia três funcionários de braços cruzados, mas sem ninguém para atender”, afirmou.

Assim como ela, outros pacientes chegavam em busca de assistência e davam com a cara na porta. “Não tem médico nem nada. A gente chega para pegar um remédio e não tem. Não pode existir um negócio desses”, esbraveja.

No Alzira Figueiredo, o cenário é de um hospital fantasma. Na recepção, há cadeiras vazias. A situação é a mesma na emergência. Sem um profissional de saúde para atender demandas urgentes, a sala vermelha é um adereço. Está parada.

No consultório médico, existem leito forrado e birô intocado, cheio de documentos em branco, como receitas e o boletim diário de atendimento. As enfermarias estão todas com os leitos desocupados. O abandono é o mesmo no ambulatório. Há algumas salas trancadas, outras vazias e nem sombra de atendimento.

O estudante Adilson Nascimento sofreu um corte profundo no braço no domingo, ao tentar pular um muro para pegar uma bola de futebol. O pai dele, Enéas Galvão, correu com o filho para o Hospital Alzira Figueiredo.

Por causa da falta de profissionais, teve que buscar atendimento no Hospital e Maternidade João Ribeiro de Albuquerque, no município vizinho de Itapissuma. A unidade começou a receber os pacientes que não conseguiam assistência em Itamaracá.

“Era uma sutura e não tinha ninguém para fazer. Ele só foi atendido em Itapissuma. A gente fica triste”, lamenta Enéas. Ele voltou ao hospital de Itamaracá um dia depois para refazer o curativo do filho e, outra vez, viu a unidade de saúde sem atendimento.

Se faltam médicos, sobram problemas de infraestrutura. Nos corredores e salas do hospital, as infiltrações tomam conta das paredes e do teto. Em um dos consultórios, parte do reboco caiu. E, no terreno baldio por trás da unidade de saúde, o mato virou criadouro de mosquitos.

Explicações

O diretor do hospital, Tancredo Wenner, disse que os médicos faltaram “por motivo de doença”. E acrescentou que, no ambulatório, o atendimento médico foi suspenso alguns dias da semana devido a corte de gastos.

O atual prefeito de Itamaracá, Ephrem Macedo, que era o vice e assumiu a prefeitura após o afastamento do gestor Paulo Batista, afirmou que está trabalhando para regularizar os salários atrasados. Ele prometeu normalizar o atendimento no hospital, que conta com um médico nesta quarta-feira (9).

Ação

Diante da denúncia da TV Globo, o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) informou que vai abrir uma sindicância sobre o Hospital Alzira Figueiredo e fará uma fiscalização na unidade de saúde.

O Cremepe ainda disse, em nota, que o diretor técnico do hospital e o secretário municipal de Saúde podem responder administrativa e civilmente, respectivamente, pela falta de atendimento.

Do Portal Informe PE

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