06/11/2014 às 10h44m - Atualizado em 06/11/2014 às 10h54m

Número de miseráveis volta a subir no Brasil

Em 2013, país passou a ter 10,45 milhões na extrema pobreza, mostra Ipea. Ministro diz que Ipea não divulgou dados na eleição para se 'resguardar'

Após uma década de queda na miséria, o número de brasileiros em condição de extrema pobreza voltou a subir em 2013. O país tinha 10,08 milhões de miseráveis em 2012, contra 10,45 milhões um ano depois, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O aumento é de 3,7%.

O cálculo leva em conta o número de indivíduos extremamente pobres com base nas necessidades calóricas – aquelas com renda insuficiente para consumir uma cesta de alimentos com o mínimo de calorias para suprir uma pessoa de forma adequada, com base em recomendações da FAO e da OMS. A conta estima diferentes valores para 24 regiões do país.

Esta é a primeira alta da série histórica do indicador, com início em 2004. Desde 2003 – quando o Brasil possuía 26,24 milhões de pessoas na miséria, o número de miseráveis caía continuamente, chegando a uma queda de 61% até 2012.

Os dados constam do banco de dados público do Ipea, e foram atualizados nos dias 30 e 31 de outubro. Procurado pelo G1, o instituto informou que os mesmos ainda estão sendo analisados e que não há previsão para sua divulgação oficial.

Número de pobres cai 5,4%

Em compensação ao aumento da miséria, o número de pessoas pobres caiu de 30,35 milhões em 2012 para 28,69 milhões em 2013 – uma redução de 5,4%. Na condição de pobreza, o estudo considera pessoas com renda equivalente ao dobro da linha da miséria.

Nos últimos dez anos, o número de pobres também vem caindo. Desde 2003, último ano em que a pobreza subiu, para 61,81 milhões, pelo cálculo o Ipea, a quantidade de pessoas nesta faixa regrediu 53%.

Os dados estão disponíveis no sistema IpeaData desde o dia 30 de outubro. Segundo o colunista do G1 Gerson Camarotti noticiou no último dia 15, o Ipea teria decidido segurar os dados sobre pobreza e desigualdade, baseados no Pnad, até o fim do período eleitoral.

Ainda segundo Camarotti, o órgão alegou que a Lei Eleitoral proíbe a divulgação dos dados até a definição de quem seria o presidente eleito.

Proporção de miseráveis sobe 4%

Uma segunda definição de miséria é estabelecida pelo decreto do plano Brasil sem Miséria – nele, a renda familiar de até R$ 77 por mês, per capita, é o limite da extrema pobreza no país. Por esta estimativa, os dados do Ipea mostram que a proporção de miseráveis, em relação a outras faixas, cresceu de 3,6%, em 2012, para 4% no ano passado.

O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), Marcelo Neri, afirmou nesta quarta-feira (5) após cerimônia no Palácio do Planalto que o instituto não divulgou dados durante o período eleitoral para se "resguardar".

Na manhã desta quarta, o Ipea divulgou dados que apontam que, após uma década de queda na miséria, o número de brasileiros em condição de extrema pobreza voltou a subir em 2013. O país tinha 10,08 milhões de miseráveis em 2012, contra 10,45 milhões um ano depois. O aumento foi de 3,7%.

“Houve uma decisão do Ipea de se manter à margem do período eleitoral em relação a qualquer tipo de dado", declarou o ministro e presidente do Ipea. Neri foi questionado por jornalistas sobre se há dados que não serão divulgados. "Não existe nenhum estudo sobre extrema pobreza escondido ou de qualquer forma que existe", completou.

Conforme adiantou o Blog do Camarotti em outubro, a decisão da entidade de segurar dados e análises sobre pobreza e desigualdade baseados na Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (Pnad) abriu uma “crise” no órgão.

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