22/10/2014 às 15h34m - Atualizado em 25/10/2016 às 23h56m

Falhas em novos centros da Funase deixam famílias preocupadas

Parentes temem motins no sistema, segundo eles, lotação e estrutura precária dificultam recuperação de jovens.

Uma rotina de medo e esperança. É assim que vivem famílias de internos da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase), em Pernambuco. O sistema, que recebe jovens infratores, dispõe de 1.040 vagas no estado, mas abriga atualmente cerca de 1.600 adolescentes. Mês passado, uma nova unidade com capacidade para 80 internos foi inaugurada em Timbaúba.

Outra Casa de Semiliberdade com 20 vagas abriu as portas em Areias, Zona Oeste da capital. Os centros recém-inaugurados trazem alento para os parentes, mas estão longe de resolver a superlotação, estrutura deficitária e insegurança do sistema que prejudicam a recuperação dos menores.

Somente nos últimos cinco meses, foram registrados tumultos e fugas em todo o estado. Dois jovens morreram após confusão no Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, em julho. Segundo a Funase, os internos teriam ateado fogo ao próprio colchão. Quatro acabaram feridos e foram socorridos, mas apenas dois resistiram aos ferimentos. Atualmente, a unidade, que tem capacidade para 166 adolescentes, conta com 383 internos.

Nova unidade reacende esperança

Inaugurado em novembro do ano passado, o Case Vitória de Santo Antão, na Mata Norte, também já está lotado, segundo a Funase. Apesar da alta rotatividade, a lotação não costuma ser superior a 70 adolescentes, em sua maioria entrando pela primeira vez no sistema. Mesmo com a distância - são sete quilômetros só de estrada de terra, fora a viagem até a cidade de aproximadamente uma hora -, os pais dos internos não perdem a esperança.

Um ônibus é disponibilizado para as famílias, levando-as da capital até o Case de Vitória. Em dias de chuva, a preocupação é maior com as curvas e ladeiras. Um dos pais relata que no começo deste mês o coletivo quase virou de tanta lama. "Eles acertam a estrada depois, mas é complicado".

Mais centros e unidades em construção

A nova Casa de Semiliberdade (Casem) Recife III, com capacidade para abrigar 20 jovens, começou a funcionar em 1º de outubro. O novo Case de Timbaúba, aberto em setembro, substituiu outra unidade da cidade, que não tinha estrutura adequada.

O Case Timbaúba conta com três casas, cada uma com cinco quartos, sendo capaz de abrigar quatro jovens em cada um dos quartos. Dos 84 jovens, 60 estão nas casas e os outros 24 abrigados na pré-acolhida da unidade.

As 23 unidades da Funase no estado são divididas entre Centros de Internação Provisória (Cenip), Centros de Atendimento Socioeducativo (Case) e Casas de Semiliberdade (Casem). Para tentar minimizar a questão da superlotação, uma das principais reclamações, novas unidade da Funase estão em construção.

Atualmente, o governo está construindo outras quatro unidades dentro do novo modelo: Jaboatão II, Cabo II, Arcoverde e o Cenip da Abdias de Carvalho, no Recife, em obras desde o ano passado. Segundo a secretária-executiva de dos Sistemas Socioeducativo e Protetivo da Secretaria da Criança e da Juventude de Pernambuco, Lidyane Lopes, as unidades devem ser inauguradas no próximo ano.

Para evitar confilitos, seja entre os socioeducandos ou entre eles e os funcionários, a Funase ainda vem trabalhando a capacitação profissional dos servidores, além de ter realizado concurso público para assistentes sociais, pedagogos e psicólogos, dos quais 60 foram efetivados em 2013 e mais 13 foram nomeados este ano.


Imagens internas da unidade FUNASE em Timbaúba


As informações são do G1 PE

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