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13/10/2016 às 10h01m - Atualizado em 13/10/2016 às 10h13m

Em Recife, tragédia familiar na praia do Pina

Pai morreu afogado tentando salvar o filho. Atendimento dos bombeiros, que teria demorado, foi alvo de críticas.

Terminou de forma trágica o dia de lazer de uma família que aproveitava o feriado de Nossa Senhora Aparecida na praia do Pina, na Zona Sul do Recife. Um jovem de 20 anos, identificado como Genilson Lucas Ramos de Morais, morreu enquanto tentava salvar a companheira, que também se afogava. O corpo dele só foi achado após quase cinco horas de buscas.

O pai do rapaz, o auxiliar de serviços gerais Genilson Lucas de Morais, 49, tentou ajudar o filho e também perdeu a batalha contra a água. Só a mulher - Tainan Paulina de Jesus, 22 anos, escapou. Populares reclamaram de demora no atendimento dos bombeiros.

Tudo ocorreu por volta das 11h30. A mulher estava na água e teria gritado por socorro. Pescadores e comerciantes entraram no mar para ajudar, assim como o jovem Genilson. Um homem que participou do salvamento contou que conseguiu ter acesso à vítima, mas não pôde auxiliar o rapaz. “Meu prazer era salvar to­­­dos, mas pensei: se eu for ajudá-lo, todos vamos morrer”, disse.

Nesse momento, o pai do jovem teria entrado na água para socorrê-lo e também não conseguiu voltar por si só. Já Tainan foi atendida no Hospital da Restauração e passou por triagem.

No calçadão da orla, curio­­sos se aglomeravam. A praia estava lotada por conta do feriado. “O menino já tinha desaparecido e conseguiram tirar só o senhor. Trouxeram ele para a calçada e ainda fiz respiração boca a boca. Ele chegou a vomitar água, estava vivo. Me afastei e disseram que ele estava morto. Se tivesse sido atendido na areia, poderia ter se salvado”, lamentou um pescador, preferindo não se identificar. “Fomos num posto de salva-vidas, fomos em outro, e não encontramos nenhum bombeiro. Dez minutos depois é que chegaram dois bombeiros de moto”, complementou.

O Corpo de Bombeiros (CB) informou que profissionais não foram vistos nos postos 2 e 3 - os afogamentos ocorreram entre os dois - porque já estavam atendendo à ocorrência e negou que o tempo-resposta tenha sido de dez minutos. A corporação também esclareceu que, no feriado, contou com 28 guarda-vidas e oito pilotos com embarcações ao longo da orla, número maior que o empregado em dias de demanda menor.

Em alguns pontos da orla, como o que foi cenário dos afogamentos, há valas em que há retorno da água, o que gera risco a quem toma banho de mar. O CB reforçou, ainda, que banhistas não entrem na água embriagados e obedeçam à sinalização e orientações de guarda-vidas.

Da Folha PE

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