08/10/2014 às 22h01m - Atualizado em 08/10/2014 às 22h03m

No Recife, Prêmio Nobel de Química se mostra surpreso com premiação

W. E. Moerner é um dos palestrantes de um workshop de física na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

William Esco Moerner estava no Recife quando soube que tinha vencido o prêmio Nobel / Foto: Diego Nigro/JC Imagem

“Estava tomando banho no quarto do hotel quando minha mulher me ligou”. Foi dessa forma, e com um sorriso de canto a canto, que o cientista americano William Esco Moerner recebeu a notícia de que tinha vencido o Nobel de Química 2014, um dos mais importantes do mundo. A notícia ganha uma dimensão ainda maior - pelo menos para os pernambucanos - porque o hotel em questão fica no Recife. William estava na cidade desde o domingo (5), onde participava do 3º Workshop Internacional sobre Fundamentos da Interação Luz-Matéria, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ele dividiu o Nobel de Química com outros dois cientistas: o também americano Eric Betzig e o alemão Stefan Hell.

W. E. Moerner, como prefere ser chamado, mostrou surpresa com o prêmio. O trabalho dos três pesquisadores ajudou na quebra de uma barreira que já durava mais de 100 anos: a possibilidade de observar células vívas e seus compontentes numa resolução superior a 0,2 micrômetros. “Com os métodos tradicionais, podíamos observar organismos microscópicos sem muita definição. Era como se estivessem desfocados, percebíamos mais os contornos. Nossa pesquisa permitiu ‘focar’ estes microorganismos e estudá-los com mais eficiência”, explica Moerner, que tem 61 anos e é professor na Universidade de Stanford, na Califórnia.

Como a pesquisa foi feita em 2007, W. E. Moerner confessa que não esperava mais que fosse premiado. "Fazia muito tempo, já estava trabalhando em outras coisas, e de repente vem essa premiação. Foi uma boa surpresa".

Foi na sua suíte no Recife Praia Hotel, no Pina, que o pesquisador soube que seu trabalho tinha sido agraciado com um dos mais importantes reconhecimentos da comunidade científica. “O pessoal em Estocolmo não conseguia entrar em contato direto comigo. Foram os repórteres da Associated Press que ligaram para minha esposa, lá nos Estados Unidos, e ela ligou para mim”, lembra.

A participação de Moerner no último dia do evento pernambucano acabou sendo prejudicada pelo anúncio, mas ele conta que ainda conseguiu cumprir quase todos os seus compromissos na capital pernambucana. “Participei das atividades intensamente nos últimos dois dias. Pena que só pude ver a praia pela janela”, brinca.


As informações são do Jornal do Comércio

Foto: Diego Nigro/JC Imagem

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