13/09/2017 às 09h05m - Atualizado em 13/09/2017 às 09h06m

Em pronunciamento na Câmara Federal, Jarbas Vasconcelos acusa o senador Fernando Bezerra Coelho de traição por briga no PMDB

Recém-filiado, FBC tenta tomar o comando do PMDB de Jarbas Vasconcelos

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Em um duro pronunciamento no plenário da Câmara Federal, o deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB) acusou o senador Fernando Bezerra Coelho, recém-filiado ao PMDB, de traição. FBC entrou no partido com a promessa do presidente nacional da sigla, o senador Romero Jucá, de que poderia levar o partido para a oposição e lançar uma candidatura ao governo do Estado, provavelmente do ministro Fernando Filho (PSB), de Minas e Energia. Procurada, a assessoria do senador disse que ele não responderia o discurso do ex-governador. Do JC Oline/Paulo Veras.

Jarbas iniciou seu discurso afirmando que há uma "tentativa sórdida" de calar sua voz. "A manobra ardilosa que pretende me atingir está sendo maquinada pelo senador Fernando Bezerra Coelho que diz está seguindo orientação da presidência nacional do PMDB, do senador Romero Jucá", disparou. O ex-governador chamou Fernando, então, de "adesista de ocasião", defendeu a legitimidade do diretório estadual, presidido pelo vice-governador Raul Henry, que pode ser dissolvido por Jucá e prometeu resistir e não se curvar diante da mesquinharia de homens que usufruem de um poder efêmero e frágil.

"Percebi que Fernando Bezerra está trabalhando para intervir no PMDB de Pernambuco. Ao meu gesto cordial de elogiar a ele e ao seu filho ministro, o senador Fernando Bezerra Coelho respondeu com desrespeito e prepotência. O ato dele tem nome: traição", atacou. Disse que FBC está interessado num palanque para si e para os filhos e que pretende transformar o partido numa extensão familiar dos seus interesses.

"Em várias situações, exatamente por conta do meu pensamento e da minha coerência, fui atacado dentro do meu próprio. Do partido que ajudei a criar. Mas mesmo diante das divergências nunca houve uma ação voltada para me expulsar ou punir. Sempre houve o respeito às diferenças. Respeito! Condição primária para a convivência em qualquer ambiente e que faltou e está faltando a Fernando Bezerra Coelho", lamentou Jarbas.

TEMER

Buscando rebater o argumento que pode ser usado pela Executiva Nacional contra sua permanência no comando do PMDB-PE, Jarbas fez questão de descrever sua situação com o governo Michel Temer. Disse ter apoiado o presidente e as reformas. Garantiu que o voto pela continuidade da denúncia contra Temer não foi um "pré-julgamento". "Votei pela investigação porque ao longo da minha vida pública sempre defendi a apuração de denúncias", explicou.

Mirando FBC, ele lembrou que esteve na oposição durante todos os governos do PT. "A maioria dos que hoje pretendem me expulsar do PMDB apoiou os governos que hoje criticam. Foram cumplices nos malfeitos. Eu mantive a minha coerência. Não titubeei. Não tergiversei. Paguei um preço político por isso mas não me arrependo um segundo sequer", atiçou.

Recuperando-se de uma sinusite, Jarbas tossiu algumas vezes durante o discurso. Os deputados que já estavam no plenário da Câmara pararam para ouvi-lo, em silêncio. O peemedebista também foi aplaudido ao final de sua fala.

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