Black Friday Ubannet

11/09/2016 às 09h54m

Advogado de 63 anos é preso por tráfico de pessoas

O advogado já era condenado há 14 anos de reclusão em regime fechado por uso de documento falso e promover o envio de criança ou adolescente para o exterior.

As informações são da Folha de Pernambuco - Foto: Divulgação

Após quatro meses de investigação, a Polícia Federal prendeu um advogado de 63 anos condenado por tráfico de pessoas, no Recife. Luciano José Ribeiro de Vasconcelos, que morava no bairro do Espinheiro, na Zona Norte da capital pernambucana, era foragido e estava com a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil cassada.

O homem possuía mais de 15 endereços no nome dele, o que dificultava a localização do criminoso. No entanto, a PF conseguiu efetuar a prisão do advogado, no último dia 7, em um hospital particular no bairro do Paissandu, na área Central, onde ele fazia um tratamento renal.

A polícia, então, cumpriu o mandado de prisão, que havia sido expedido pela 36ª Vara da Justiça Federal. Luciano passou por exames no Instituto Médico Legal (IML) e foi levado para o Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima. O advogado já era condenado há 14 anos de reclusão em regime fechado por uso de documento falso e por promover ou auxiliar a efetivação de envio de criança ou adolescente para o exterior.

Entenda
No dia 9 de julho de 1993, a polícia encontrou três crianças - que aparentavam ter um ano - em uma casa no bairro de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. Elas estavam em péssimas condições de higiene e saúde, pois não eram alimentadas há dias. Segundo a polícia, as crianças eram mantidas no local por Luciano, que não detinha a guarda legal. Na ocasião, o homem foi preso, junto com o tio.

Já em 1999, Luciano e um homem identificado como Oscar Melo, que trabalhava na Vara da Família da comarca de Ceará-Mirim, no Rio Grande do Norte, aliciaram, com o intuito de obter lucro, uma mulher que estava no sexto mês de gestação, para que ela vendesse o filho por R$ 800. A gestante acabou concordando com o negócio proposto.

Após o nascimento, a mãe se arrependeu do acordo, deixando transparecer a angústia ao administrador da maternidade onde o bebê nasceu, que denunciou o caso. A criança seria doada a um casal de italianos aliciado pelo advogado, que já havia promovido processo de adoção em favor dos italianos anteriormente. Luciano se aproveitava da profissão para mascarar a prática criminosa, já tendo sido condenado por crime semelhante praticado em 1993 e suspenso preventivamente pela OAB do exercício da advocacia desde 1997.

Oscar, por sua vez, fazia a captação de potenciais mães doadoras de crianças. O caso tramitava na esfera estadual desde 1999, mas, somente em 2008, a Justiça Estadual declinou a competência em favor da Justiça Federal, por se tratar de crime previsto na Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, que cuida, dentre outros assuntos, da transferência ilegal de crianças para o exterior.

Comentários

Outras notícias