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01/09/2016 às 10h27m

Família de jovem que morreu ao cair de ônibus pede R$ 800 mil de indenização

Harlynton caiu de ônibus que estava com dispositivo de segurança falho. Primeira audiência de instrução do caso ocorreu na última terça-feira.

Os pais do estudante Harlynton Lima dos Santos iniciaram nesta terça-feira (29) a luta na Justiça por reparação de danos. O jovem, na época com 20 anos, morreu há um ano e dois meses quando caiu de um ônibus em movimento no Terminal do Cais de Santa Rita, no Centro do Recife.

O processo cível movido pelos familiares da vítima a título de danos morais e materiais teve seu primeiro capítulo durante a primeira audiência de instrução do caso nesta terça, no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, na área central do Recife. Na ação judicial, os familiares do universitário pedem que a transportadora pague o valor de R$ 800 mil em indenização.

A quantia é 66% maior da reparação paga pela empresa Metropolitana à família da estudante de biomedicina Camila Mirele Pires da Silva, 18 anos, que também foi vítima fatal do sistema de transporte público ao cair de um ônibus da linha Barro/Macaxeira, na BR 101, nas imediações da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em maio de 2015. A conciliação entre familiares e a transportadora resultou em um acordo no valor de R$ 480 mil, com a decisão concedida pela 27ª Vara Cível da Capital no último mês de junho.

A família de Harlynton busca conseguir o mesmo feito da família de Camila, porém, no final da audiência desta terça, ocorreu o primeiro entrave. Isso porque a Vera Cruz não aceitou o valor pedido e fez uma contraproposta no valor de R$ 200 mil, o que não foi acatado pela família da vítima.

Agora, a decisão do caso está nas mãos da juíza titular da 30ª Vara Cível da Capital, Luciana Magalhães, no entanto, não há data prevista para o julgamento. "O valor apresentado pela empresa é irrissório. Os danos causados a nós são irreparáveis. A vida do meu filho não tem preço, mas estamos brigando para conseguir uma reparação pelos gastos psicológicos e materiais. O dinheiro também servirá para investir na educação dos irmãos de Harlynton", comentou o pai de Harlynton, o comerciário Jocely Ferreira dos Santos, 47 anos, acrescentando que também irá investir o dinheiro em um obra literária escrita pelo jovem antes de morrer, além de um projeto de biblioteca móvel em periferias.

Além do processo cível, também está tramitando a ação criminal contra o motorista José Cândido da Silva, 63 anos, que era o condutor do coletivo do qual o estudante caiu. A audiência de instrução do caso ocorreu no último mês de junho com a ouvida de testemunhas de defesa e acusação, além do próprio réu. Resta agora a Justiça decidir se levará ou não o rodoviário a júri popular.

O caso

Harlynton Lima dos Santos morreu por complicações médicas após ser arremessado de um ônibus no Terminal do Cais de Santa Rita, em junho de 2015. A discussão central do acidente foi relativa à negligência com o dispositivo “Anjo da Guarda”, que bloqueia o acionamento das portas se o ônibus estiver a mais de 5 km/h.

Quatro pessoas foram denunciadas à Justiça: o motorista do coletivo, pela imprudência ao dirigir sem que o equipamento estivesse funcionando; outros dois funcionários da empresa, operadora do ônibus, e um do Grande Recife Consórcio de Transporte, todos por terem liberado o veículo para circulação sem o mecanismo de segurança.

Na época, a Delegacia de Delitos de Trânsito constatou que o “Anjo da Guarda” havia tido fios cortados, o que o inviabilizou. A investigação, porém, encontrou dificuldades em apontar outros culpados além do condutor do ônibus. Somente após a realização de novas diligências, mais pessoas foram indiciadas. “A perícia foi clara: o dispositivo foi cortado com um alicate”, argumenta o advogado da família da estudante, Paulo Siqueira.

Da Folha de Pernambuco

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