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25/06/2016 às 09h40m - Atualizado em 25/06/2016 às 09h41m

Áudios sobre esquema de propina na Empetur serão investigados

Gravações atribuídas aos cantores André Rio e Cezzinha tornaram-se públicas. Secretaria de Turismo solicitou abertura de inquérito policial nesta sexta.

Secretário de Turismo Felipe Carreras (dir) pediu abertura de inquérito policial
(As informaçõe são do G1 PE / Foto: Marina Meireles/G1)

A Secretaria de Turismo de Pernambuco solicitou, na tarde desta sexta-feira (24), que a Polícia Civil investigue a veracidade de áudios divulgados pelo WhatsApp, supostamente atribuídos aos cantores André Rio e Cezzinha. Nas gravações, os autores denunciam esquema de propina na Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur) para a contratação de shows. Os áudios começaram a circular na última quarta-feira (22) em um grupo de artistas pernambucanos e logo tornaram-se públicos.

No primeiro áudio, o interlocutor, supostamente André Rio, dá detalhes de como funcionaria o acordo. "Hoje me ofereceram quatro shows na Empetur. Quatro e mais dois na Fundarpe. Acontece que eu tinha que deixar metade do meu cachê de comissão. Tá vendo como são as coisas aqui nesse Estado, como está o Estado? Agora, tem muito artista aqui que aceita. (...) Depois ficam reclamando que a gente é tratado dessa forma. Se todo mundo não tiver uma postura de hombridade, de não aceitar, de denunciar. Eu não pago nenhum tipo de bola", afirmou.

Na mesma gravação, afirma que chegam a cobrar metade do cachê para que os contratos sejam fechados. "Eles têm a obrigação constitucional de promover a nossa cultura. É um absurdo eles chegarem de última hora, oferecerem uma cidade longe... Pega o cachê e diz que, no meu caso, o cachê é X e eu tenho que deixar metade do X de 'bola' para as pessoas que dirigem esses órgãos, essa esculhambação. Temos que nos juntar e ir ao Ministério Público botar para arrombar nesse povo todo", acrescenta.

Já no áudio atribuído a Cezzinha, ele corrobora as palavras da primeira gravação. "Vi aqui que André tomou uma atitude que já venho falando há muito tempo, que deveríamos tomar. Algumas pessoas devem estar perguntando por que eu não estou fazendo muitos shows... Por conta dessa sacanagem. Eu acho que a gente tem que se posicionar, tem que acabar essa roubalheira toda e tem que se unir. É nessa hora que acho que a gente tem que fazer a diferença. Vamos fazer a diferença se unindo e agindo com atitude".

No ofício, assinado pelo secretário de Turismo Felipe Carreras, a secretaria formaliza o pedido de abertura de inquérito policial para apurar a veracidade das informações contidas nos áudios, que falam em cobrança e exigência de vantagens por agentes da Empetur para a formalização de contratos para shows. "As considerações contidas nas gravações possuem vigor suficiente para instruir a abertura de procedimento investigatório, no sentido de elucidar a verdade dos fatos e estabelecer responsabilidades, inclusive na hipótese de não espelharem a realidade", diz o texto direcionado ao chefe da Polícia Civil, Antônio Barros.

O secretário Felipe Carreras afirmou que cabe ao denunciante provar as acusações. "Foi feita uma denúncia e ninguém diz quem é o culpado para que possamos punir algum eventual ato ilícito. Agora, quem acusou tem que provar o que está dizendo. Quem fez a denúncia tem que apontar o culpado ou responder pelo que disse", ponderou Carreras.

Segundo ele, os artistas poderão ser acionados por danos morais, caso sejam os reais autores da denúncia e não consigam provar o que dizem. A Polícia Civil só deve se pronunciar sobre o caso no início da próxima semana.

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