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15/06/2019 às 09h40m - Atualizado em 15/06/2019 às 10h32m

No Recife, Greve Geral mobiliza população contra governo Bolsonaro

Milhares de pernambucanos levaram faixas com mensagens políticas às ruas do Recife, endossando apoio ao ex-presidente Lula e muitas críticas ao Governo Federal

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Milhares de pernambucanos tomaram as ruas do centro do Recife na tarde desta sexta-feira (14) endossando o chamado nacional de Greve Geral contra medidas tomadas pelo Governo Federal e a favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além disso, outro nome recorrente no discurso dos militantes foi o do ministro da Justiça Sergio Moro, motivado pela polêmica do vazamento de sua troca de mensagens com procuradores da Operação Lava Jato enquanto era juiz federal.

O ato na capital pernambucana foi caracterizado pela forte presença de políticos, expressões culturais e pautas em prol da educação. Na concentração, que iniciou por volta das 14h no cruzamento da Rua do Sol com a Avenida Guararapes, na área central da cidade, grupos de maracatu, vendas de livros e vários cartazes e faixas com mensagens políticas se aglomeravam aos poucos.

Centrais sindicais como metroviários, rodoviários e professores levaram suas pautas e endossaram o discurso central do ato. A comunidade LGBT também levou sua bandeira, assim como manifestantes que lembraram da causa da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada em março de 2018 após uma emboscada no Rio de Janeiro.

Diversos integrantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT-PE), vindos de dezenas de cidades do estado, ocuparam as ruas com bandeiras vermelhas e pautas voltadas à causa rural e população mais pobre. “A reforma da Previdência é um projeto excludente. Estamos lutando pela nossa unidade, em defesa do país e da nação. A educação é outro ponto importantíssimo. Sem falar, claro, do nosso presidente Lula. Também defendemos aqui o SUS, para que não haja a privatização desse serviço que é tão importante. As estatais são outras pautas nossas, pois são elas que fortalecem nossa soberania. É preciso lembrar também da causa do transporte público. São muitas pautas pelas quais temos que ir às ruas”, expressou a diretora nacional da CUT, Lindinery Ferreira.

Figuras políticas conhecidas no âmbito local não deixaram de dar reforço à militância no Recife. A deputada estadual Teresa Leitão (PT) costuma integrar os atos de caráter popular. “Desde o dia 15 de maio estamos fazendo prévias desse dia de hoje. As pautas são várias, mas principalmente estamos aqui para mostrar nossa indignação a esse conluio que fizeram. Moro desmoronou. Além dele, tem esse governo que vende nossas riquezas e tira de quem mais precisa. O governo não olha pros mais pobres. É falácia essa história de que a reforma da previdência vai beneficiar quem menos tem”, pontuou a parlamentar.

O também petista, o senador Humberto Costa, mostrou sua indignação com atitudes do ministro Sergio Moro. “Ficou claro que tudo que dizíamos sobre Moro era verdade. Ele foi um juiz que se associou ao Ministério Público para fazer uma perseguição política. Nós estamos firmes para exigir essas apurações e desmascarar Moro e a Lava Jato como um todo”, afirmou.

No ato, a secretária de Cultura do Recife, a atriz Leda Alves, assegurou que é contra tudo que venha do presidente Jair Bolsonaro (PSL). “Não precisa nem citar muitos motivos para estar aqui porque é tudo muito óbvio. Eu sou absolutamente contra tudo o que vem de Bolsonaro. Nós temos que entender que isso aqui tem relevância pro povo. Estou aqui pra dizer que estou com o povo. Democracia é entender as pautas do povo”, disse.

O vereador Ivan Moraes (PSOL) acompanhou a movimentação da Greve Geral com suas colegas integrantes do mandato coletivo Juntas (PSOL). De acordo com Moraes, o site The Intercept fez bem o seu trabalho. “Os desmontes que estão acontecendo causam indignação muito grande. Sobre o vazamento das mensagens de Moro, o Intercept tinha a obrigação de divulgar. O que eles estão fazendo não é nada além do dever de qualquer jornalista. O Intercept nesta história está todo certo. Quem está errado é o Sergio Moro. Moro, enquanto juiz, não podia ficar de conversinha nem de conchavo com nenhuma das partes”, opinou Moraes.

Já as deputadas do Juntas vieram representadas por Jô Cavalcanti, Carol Vergolino, Robeyoncé Lima e Kátia Cunha. Segundo Kátia, a ficha do povo brasileiro já caiu. “As pessoas já entenderam que esse governo ganhou à base da fake news. A verdade está aparecendo. Estamos aqui para mostrar que eles não ficarão impunes. As pessoas estão aqui contra um projeto de extermínio proposto por esse governo”, alegou.

O líder da Situação na Assembleia Legislativa de Pernambuco, Isaltino Nascimento (PSB), disse esperar que as denúncias apresentadas pelo The Intercept sejam apuradas. “Em um país sério, esse cidadão não teria condições de atuar como ministro da Justiça. Até porque a Polícia Federal está sob sua responsabilidade. Sem falar no procurador Dallagnol. É tudo muito grave, tem que ser analisado e apurado e, no final, os culpados têm que ser punidos”, exprimiu.

Em caminhada com os manifestantes, a ex-candidata ao Governo de Pernambuco nas eleições de 2018 pelo PSOL, Dani Portela, alfinetou o pacote anticrime proposto por Sergio Moro. “É um pacote que dá o direito legal de matar. É deixar o policial fazer o que já faz: matar e não ser nem obrigado a se desculpar por isso. É uma política neoliberalista do governo. É o estado mínimo garantidor de direitos. Sergio Moro quer aprovar esse pacote junto com a reforma da Previdência, mas os escândalos envolvendo o nome dele diminuem o nome dele”, criticou.

Acompanhando cerca de cinco trio elétricos, a multidão seguiu pela Avenida Conde da Boa Vista em direção à Praça do Derby. Por volta das 18h, o grupo chegou ao ponto final, onde culminou a participação dos pernambucanos na Greve Geral. Durante todo o ato não foi registrada nenhuma violência nem confronto entre os manifestantes e o público externo.

Do Leia Já

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