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01/06/2015 às 14h36m

ONG Amigos do Trem quer reacender o turismo ferroviário na Zona da Mata Norte

Ideia é levar a atividade à região entre Recife e Nazaré da Mata, explorando as belezas naturais

Para reavivar o charme e o saudosismo que pairam sobre trilhos construídos em 1879, e levar à Mata Norte uma atividade que pode transportar milhares de pessoas e movimentar mais de R$ 1 bilhão por ano, a ONG Amigos do Trem realiza o trabalho de limpeza da malha a cada 15 dias. Com a ajuda de ferramentas manuais, os membros vão abrindo espaço para 60 quilômetros de ferrovia. “Na realidade, estamos fazendo uma fiscalização voluntária de um patrimônio que é nosso e tem um potencial incrível capaz de mudar a realidade de cidades inteiras”, comenta o diretor regional da ONG em Pernambuco, André Cardoso.

Nas próximas semanas, o trabalho deve ficar menos pesado. A organização vai contar como apoio da Transnordestina Logística S.A., concessionária da malha ferroviária. A TLSA também cedeu um auto de linha - espécie de carro sobre trilhos - que vai ajudar a abrir caminho mais rápido para o turismo ferroviário. “Ainda contamos com a parceria do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Junto a esses parceiros pretendemos ter a cessão de composições que possam ser recuperadas”, explica Cardoso.

A escolha pelo trecho se deu de forma natural. Das três principais linhas que formavam a malha ferroviária de Pernambuco, ligando-o a outros estados do Nordeste, o ramal é o que ainda apresenta melhores condições para o tráfego de trens. “Esse trecho da Mata Norte tem excelentes perspectivas turísticas, pois passa a lado da Igreja de São Severino dos Ramos e pela belíssima estação de Paudalho, recém-inaugurada”, afirma o fundador da Associação Brasileira das Operadoras de Trens Turísticos e Culturais (ABOTTC), Anderson Pacheco.

Para Pacheco a iniciativa da ONG deve “acordar” os governos para a atividade econômica. “No Sul e Sudeste o turismo ferroviário é algo forte, com excelente retorno econômico. Não há dúvidas de que com implantação dessa atividade teremos uma Mata Norte diferente”, aposta.

Negócio tem potencialidade de promover atividade regional

O sonho possível de ter o primeiro projeto de exploração turística da malha ferroviária no Nordeste, aumenta as expectativas sobre o turismo rural. Muito mais ampla, a área vem sofrendo com o baixo desenvolvimento, em virtude, sobretudo, das condições das rodovias. Com as estradas - único meio de se chegar a muitas cidades interioranas - em péssimo estado, ter a possibilidade e atrair turistas pelos trilhos anima o setor.

Presidente da Associação Pernambucana de Turismo Rural, Maria Melânia Vieira ver como louvável a iniciativa da ONG Amigos do Trem, mas teme que ela pare o recondicionamento de trilhos. “Esse trabalho obriga os governos municipais, que serão diretamente beneficiados, mas o Estadual e o Federal também, a se prepararem para receber esses trens. É preciso pensar agora em toda uma infraestrutura que viabilize a atividade”, avalia.

O professor de turismo da Faculdade dos Guararapes (FG) e mestre em desenvolvimento local, João Paulo Silva, reforça a potencialidade do futuro negócio e sua capacidade de promover o turismo de maneira regionalizada. “As cidades da Mata Norte são municípios que aparecem esporadicamente no circuito turístico do Estado. A ativação de uma linha férrea provocará um efeito em cadeia, no qual todas que estiverem nas proximidades da malha serão afetadas positivamente”, afirma.

Tendo as experiências consolidadas dos estados do Sul e Sudeste, e do Trem do Forró na Paraíba e Pernambuco, Silva sugere a mistura dos dois modelos para o sucesso do negócio. “Nas outras regiões eles exploram o aspecto paisagístico que a viagem de trem proporciona, no Trem do Forró a atração acontece dentro das composições. Podemos ter as duas coisas com a implantação do turismo ferroviário na Mata Norte. Isso provocará um crescimento econômico incrível”, prevê.

De acordo com o Ministério do Turismo (MTur), nos últimos dez anos, foram investidos cerca de R$ 20 milhões na recuperação de estações, implantação de trens turísticos e recuperação de trechos ferroviários, um segmento que ajuda a preservar o patrimônio histórico ferro viário e movimenta o turismo brasileiro.


Com informações da Folha de Pernambuco

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