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14/05/2018 às 11h57m - Atualizado em 15/05/2018 às 07h54m

Em Passira no Agreste pernambucano, vereador acusa presidente da Câmara de ameaça de morte

A suposta vítima é o vereador Cassiano Oliveira (PPS).

passira-bo

A discussão sobre a destinação de recursos da Câmara Municipal de Passira, no Agreste de Pernambuco, deu origem a agressões verbais e um boletim de ocorrência por ameaça de morte contra o presidente do legislativo da cidade, Antônio Luiz da Silva, o Toinho de Antônio Luiz (PSD). A suposta vítima é o vereador Cassiano Oliveira (PPS).

Em entrevista ao Blog de Jamildo, Cassiano Oliveira, que está no seu primeiro mandato como vereador, disse que a história começou quando foi procurado por um assessor do presidente Toinho. O funcionário o teria questionado sobre fotos do estado de conservação (com mofo, forro do telhado caindo, de acordo com Oliveira) dos gabinetes da Câmara, que, segundo ele, teriam sido divulgadas pelo vereador em redes sociais.

Para o funcionário de Toinho, os registros não poderiam ter sido publicados. Oliveira negou que tenha tirado e compartilhado as imagens. Com a abordagem do assessor, o vereador disse ao Blog, que contestou a aplicação de R$ 3.800 dos recursos da Câmara para compra de material de construção para a Casa em uma rede social.

De acordo com o vereador, o valor foi liberado em fevereiro, mas não ficou clara a destinação dos recursos e os detalhes sobre que tipos de materiais foram adquiridos. “Que material foi esse?”, disse. 

Foi então que o presidente Toinho ligou na quarta-feira (9) para Cassiano Oliveira para abordar o assunto. “Começaram as agressões, querendo me intimidar”, disse o vereador. “Ele me falou para eu parar de chamá-lo de ladrão, o que eu neguei que tinha afirmado. Ele disse para eu ter cuidado que a vida é passageira. ‘Você vai ver o que vou fazer com você'”, relatou Oliveira, que gravou a conversa.

O vereador prestou queixa no mesmo dia na delegacia da cidade. Oliveira foi ouvido pelo delegado na quinta-feira (10) e entregou o áudio com a gravação de três minutos, que segundo ele, registram as ameaças de morte. Para o parlamentar, ele foi ameaçado por exercer seu trabalho de monitorar as ações do poder público.

“Eu fiquei assustado. A função do vereador é essa de fiscalizar, inclusive, na Câmara, se esse dinheiro não é utilizado, ele deve voltar aos cofres da prefeitura”, disse.

Segundo Cassiano Oliveira, ele tem evitado sair de casa por estar com medo, mas ainda sim tem comparecido às sessões da Câmara Municipal. “Eu fui, votei projetos, mas não me dirigi a ele”, disse Oliveira. “Eu estou evitando sair de casa, viajar. Eu já recebi outras ameaças, mas não nesse grau pesado”, afirmou.

Na quinta-feira (10), o presidente da Casa e o colega estiverem na sessão da Câmara. “Ele me pediu desculpas e disse que não sabia que ele havia gravado a ligação. E disse que eu podia dormir tranquilo”, relatou Cassiano Oliveira.

A direção estadual do partido de Oliveira, o PPS, pediu à Secretaria de Defesa Social a investigação do caso, a punição do acusado e a atuação na segurança do vereador e de sua família.

“O PPS de Pernambuco se solidariza com seu vereador do município de Passira Cassiano Oliveira que, ao cumprir seu papel de fiscalização das contas da Câmara Municipal, foi ameaçado pelo presidente da Casa, Toinho de Antônio Luis”, diz em nota o presidente estadual da sigla, deputado federal Daniel Coelho.

Outro lado

Ao Blog de Jamildo, o presidente da Câmara Municipal, Toinho de Antônio Luiz (PSD), negou que tenha ameaçado o vereador Cassiano Oliveira, mas reconheceu que se exaltou. Ele afirmou ainda que já pediu desculpas ao colega parlamentar. Segundo ele, o vereador havia insinuado que ele era “ladrão” em uma rede social.

“Eu não ameacei ele não. O que eu falei está falado. Eu me exaltei e pedi desculpas. (…) Peço desculpas ao povo de Passira. (…) Ele insinuou na rede social que eu tinha pagado o material e não tinha chegado. (…) Foi um momento de ignorância”, disse.

Sobre o questionamento da destinação do recurso, o presidente da Casa disse que o valor de R$ 3.800 se refere ao débito de uma reforma já realizada no ano passado no prédio da Câmara. De acordo com Toinho, ele tem notas para provar o pagamento do material de construção, que teria servido, segundo ele, para consertar o telhado, acabar com um vazamento e trocar as dobradiças de uma porta na Casa. 

“Não preciso manchar o meu nome, eu não preciso mexer com o dinheiro público. Eu sairei da vida pública com meu nome limpo”, afirmou, ressaltando que foi o vereador mais votado na cidade nas eleições de 2016 e lembrando que o pai, Antônio Luiz, exerceu quatro mandatos na Câmara.

Ele alega que o colega parlamentar estaria incomodado com a decisão da direção da Casa de cortar 11 assessores da folha de pagamento da Câmara. Os 11 vereadores têm direito a um funcionário para assessorá-los. Segundo Toinho, a medida foi necessária diante da diminuição das receitas. Ainda de acordo com ele, o orçamento da Câmara caiu de R$ 164 mil para R$ 154 mil. 

Sobre as condições dos gabinetes, Toinho de Antônio Luiz diz que assumiu a direção da Casa, em 2017, com vários problemas e que documentou a situação.

“Cassiano está querendo se fazer de vítima. Ele está querendo me rebaixar”, disse. 

Do Blog de Jamildo 

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