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08/04/2019 às 07h15m - Atualizado em 09/04/2019 às 08h18m

Dez militares são presos por fuzilamento de carro de família que matou músico no Rio Janeiro

Após recuar sobre versão de que tropa teria reagido a ataque de criminosos, Exército conduzirá as investigações sobre o caso

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Dez militares foram presos nesta segunda-feira (08) pela morte do músico Evaldo Rosa dos Santos – metralhado, neste domingo (07), no Rio de Janeiro (RJ), por homens do Exército Brasileiro, que dispararam mais de 80 tiros contra o veículo que a vítima dirigia, acompanhado da família, a caminho de um chá de bebê.

Também foram feridos o sogro de Evaldo, que estava no carro, e um pedestre que passava pelo local, em Guadalupe, na zona norte da capital fluminense.

Inicialmente, o Exército divulgou que sua tropa teria reagido a ataques de criminosos a bordo do automóvel. Posteriormente, em nota, o Comando Militar do Leste admitiu que “em virtude de inconsistências identificadas entre os fatos inicialmente reportados” (pelos militares envolvidos na ação), todo os envolvidos foram afastados e encaminhados à Delegacia de Polícia Judiciária.

Até agora, 12 militares já foram ouvidos, dos quais dez foram presos e estão à disposição da Justiça Militar. A Audiência de Custódia determinará o encaminhamento do caso.

O Ministério Público está acompanhamento os depoimentos, mas as investigações ficarão por conta do próprio Exército, em acordo com legislação de 2017 assinada pelo então presidente Michel Temer.

Laudos já elaborados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro serão encaminhados às Forças Armadas.

ENTENDA O CASO

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Homem morre no RJ após militares atirarem mais de 80 vezes em carro

Militares do Exército mataram um homem e feriram outro na tarde deste domingo (7), depois de atirar em um carro nas imediações do Piscinão de Deodoro, em Guadalupe, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O carro atingido teria sido confundido com o de bandidos que estavam agindo na região. Os militares dispararam nada menos que 80 vezes contra o veículo, matando o músico Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos. O sogro de Evaldo também foi ferido, mas se recupera bem. Outras três pessoas que estavam no carro, entre elas a mulher do músico, não se feriram.

O delegado Leonardo Salgado da Delegacia de Homicídios, que está investigando o caso, afirmou em entrevista à TV Globo que, “tudo indica” que os militares confundiram o carro da família com o de assaltantes. “Foram diversos, diversos disparos de arma de fogo efetuados e tudo indica que os militares realmente confundiram o veículo com o carro de bandidos. Mas neste veículo estava uma família”, contou Salgado. “Não foi encontrada nenhuma arma (no carro). Tudo que foi apurado era que realmente era uma família normal, de bem, que acabou sendo vítima dos militares.”

Em nota divulgada ainda no domingo, o Comando Militar do Leste (CML) informou que os militares teriam se deparado com um assalto em andamento e que os criminosos, que estariam dentro do carro, teriam aberto fogo. Os militares explicaram que a região é muito próxima da Vila Militar e, por isso, dentro do perímetro de atuação do Exército. Mas o uso da força só pode ocorrer “de acordo com as normas do engajamento”.

Mais tarde, no entanto, o CML enviou outra nota em que informava que já estava em andamento “uma apuração preliminar da dinâmica dos fatos ocorridos” e que já tinham começado a ser coletados “os depoimentos de todos os militares envolvidos e de todas as testemunhas civis na Delegacia de Polícia Judiciária Militar”. O comunicado informou também que toda a investigação estaria sendo supervisionada pelo Ministério Público Militar. Ainda em entrevista à TV Globo, o delegado reclamou do fato de os militares não terem prestado depoimento à Polícia Civil. “Não vejo legítima defesa”, disse o delegado sobre o fuzilamento do carro.

Informações do portal UOL 

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