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01/04/2014 às 07h34m

Usina fecha na Mata Sul e cerca de 2 mil funcionários ficam sem emprego

Nos últimos cinco anos, outras cinco usinas encerraram suas atividades

A crise pela qual vem passando o setor sucroalcooleiro atingiu mais uma usina em Pernambuco: a Unaçúcar anunciou nesta segunda-feira (31) que fechará as portas. Localizada na cidade de Água Preta, Zona da Mata Sul, a crise já provocou a demissão de cerca de 2 mil funcionários. Nos últimos cinco anos, mais de cinco usinas no Estado encerraram suas atividades.

De acordo com a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), o motivo da crise é a política do Governo Federal que desonera a gasolina e faz o preço do etanol subir. O presidente da associação, Alexandre Andrade, afirmou que acordos foram feitos com o Governo Federal para tentar reverter a situação do etanol mas a desoneração proposta não surtiu efeito. Ele também comentou que a política da Petrobras de comprar gasolina mais cara no exterior e vender mais barata no País é injusta, causando concorrência desleal.

O ETANOL NÃO FOI O ÚNICO PREJUDICADO

O açúcar, outro derivado da cana, passa pelo mesmo problema. Usineiros, que antes produziam etanol, viram no açúcar uma solução, mas a produção nacional criou uma grande quantidade de excedente e, mesmo o Brasil sendo um grande exportador da matéria-prima - 50% do açúcar de todo o mundo é brasileiro - não foi possível reverter o problema. O preço caiu e, só neste ano, 9 milhões de toneladas de açúcar deixarão de ser produzidas em Pernambuco.

Na tentativa de atenuar o problema, o Governo do Estado visa estimular a criação de cooperativas de produtores de cana, retomando o funcionamento de usinas que estão fechadas. A AFCP acredita que o governador assinará ainda nesta semana o convênio, que criará duas cooperativas, uma na Usina Cruangi, no município de Timbaúba, Zona da Mata Norte; e outra na Usina Pumaty, em Palmares, Mata Sul do Estado.

OUTRO LADO DA MOEDA - A Federação Trabalhadores Agricultura do Estado de Pernambuco (Fetape) se opõe, em parte, ao convênio. De acordo com o presidente da federação, Doriel Barros, os "trabalhadores não podem ser esquecidos", pois muitos foram demitidos com o fechamento das usinas nos últimos anos.

A reivindicação não visa apenas ajudar, através do programa Chapéu de Palha, os assalariados que foram demitidos, mas também desapropriar as terras das usinas para a reforma agrária.

Com informações do NE10

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