Black Friday Ubannet

12/03/2014 às 08h56m

Motos x Mortes

O Saldo de mortos durante a Operação Carnaval revelou um problema crônico, a morte de usuários de motocicletas

Durante a Operação Carnaval realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) entre os dias 27 de fevereiro e 5 de março, em Pernambuco, foram contabilizadas seis vítimas fatais em acidentes. O que mais chamou a atenção no levantamento dos números da operação foi o fato de que todos os mortos estavam relacionados a motocicletas.

Foram cinco acidentes com mortos, e em todos eles os condutores eram inabilitados, isto é, não possuíam carteira de habilitação (CNH) para pilotar motos. Das cinco vítimas fatais que estavam em motos, nenhuma usava capacete. A sexta vítima fatal estava em uma carroça de tração animal, que foi atingida por uma moto. Neste caso, o motociclista causador do acidente sobreviveu, provavelmente, porque estava usando capacete.

IMPRUDÊNCIA - Só pelo fato de não possuir Carteira Nacional de Habilitação (CNH), os condutores não poderiam estar pilotando motocicletas. Entretanto, em quatro dos cinco casos citados os condutores estavam em conduta irresponsável, pois dois deles trafegavam pelo acostamento da pista contrária (contramão) e, inesperadamente, entraram na pista, e colidiram de frente com os carros que viajavam no sentido contrário. Em outro caso, o motociclista saiu da pista e bateu na traseira da carroça, que estava no acostamento da via. Por fim, outro condutor atravessou a rodovia inesperadamente, quando foi colhido por uma carreta. Em apenas um caso, em princípio, a condutora, mesmo sem CNH, não provocou o acidente. Porém, ela não poderia estar conduzindo a moto.

TORNIQUETE - O que fica bem claro diante desses fatos é que há uma verdadeira legião de usuários de motocicletas e ciclomotores (cinquentinha) sem a menor condição de conviver com os outros motoristas, pois quando não são inabilitados, não têm preparo técnico/psicológico e educação para a prática da direção segura. Sabe-se que quando alguém leva um corte profundo na perna, por exemplo, e ele gera uma grande hemorragia, usa-se compressa ou, em casos extremos, a técnica do torniquete, para conter o sangramento. Mas o problema só será sanado quando o sangue coagular e cicatrizar a ferida. Podemos fazer uma analogia com o caso do trânsito. Enquanto a educação e a qualificação dos condutores de veículos não se tornar uma realidade no Brasil, devemos, sim, fiscalizar e punir da maneira mais severa possível todos os infratores. Caberá a todos os órgãos que lidam com trânsito uma atitude cada vez mais dura no trato com os incautos. A PRF quer apertar o torniquete. E já estamos apertando. Só no ano passado (2013), em Pernambuco, autuamos (multamos) 4.522 condutores de motocicletas apenas pelo não uso do capacete. Outros milhares foram multados por não possuírem CNH.

O esforço é grande, mas ainda é pouco. Queremos mais; mas a fiscalização só será otimizada com a contratação, através de concurso, de muito mais policiais. Mas aí não depende da PRF, mas sim da boa vontade e sensibilidade da Presidência da República e do Congresso Nacional Brasileiro. Enquanto isso.......continuamos apertando o torniquete e enxugando gelo.

Timbaúba Agora com informações da Assessoria de Comunicação Social - PRF/PE

Comentários

Outras notícias