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08/02/2015 às 16h57m - Atualizado em 08/02/2015 às 18h08m

Biodigestor dispensa o uso de gás GLP na cozinha

Equipamento está sendo instalado pela ONG Diacoania em seis Estados do País, incluindo Pernambuco

Uma tecnologia antiga, usada na Índia e China, está se transformando em alternativa para produção de energia barata no campo. Adaptado pela ONG Diaconia para famílias de agricultores de baixa renda, o biodigestor produz gás metano a partir de excrementos de animais, dispensando o consumo de gás de cozinha e evitando o desmatamento causado pela extração de lenha.

A experiência com o equipamento começou em 2005, mas o uso disseminado é mais recente. Depois de ter ganho o prêmio Melhores Práticas, de 2011, concedido pelo Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal (CEF), e alcançado a 48ª posição no ranking da ONU Habitat entre as tecnologias que podem ser replicadas pelo baixo custo e eficiência, o projeto do biodigestor foi aprovado pelo Programa Nacional de Habitações Rurais (PNHR), da CEF, em junho de 2014, e está sendo desenvolvido em seis Estados, incluindo Pernambuco. “Vamos instalar 335 equipamentos em dois anos”, conta o coordenador do projeto, Carmo Fuchs.

A construção do biodigestor “sertanejo” é simples e barata. “Incluindo a mão de obra, não passa de R$ 2,7 mil”, informa Carmo. Para começar, a família indica um lugar para instalar o equipamento. Em seguida, é construída uma caixa de entrada com placas de cimento e areia, onde o esterco será colocado com água. Dali, ele segue através de um cano de PVC para o tanque principal subterrâneo, de até 1,80 metro, onde o biogás será produzido.

Para canalizar o gás, o tanque principal é coberto com um reservatório de fibra de vidro de 3 mil litros, invertido. Um botijão de plástico de 20 litros é colocado sobre a caixa para receber o combustível. Dali, ele segue até o fogão por uma mangueira. “Como a pressão é menor que a do botijão de GLP, as famílias fazem um canteiro sobre a caixa de fibra de vidro para aumentar a eficiência”, explica Carmo. A Diaconia - entidade composta por 11 igrejas evangélicas - capacita pedreiros e técnicos que vão construir os equipamentos e ensina as famílias a manejá-los.

Na caixa de saída, os agricultores recolhem um biofertilizante líquido, que pode ser aplicado nas plantas para afastar pragas. Já a parte seca do esterco é usada como adubo. “Tudo isso é valor agregado”, comenta Carmo, acrescentando que o biogás rende mais que o GLP, não tem cheiro e nunca causou um acidente em dez anos.

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