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07/02/2019 às 08h16m - Atualizado em 07/02/2019 às 09h39m

Fies 2019 abre inscrições, mas reduz opções para mais pobres

O Financiamento Estudantil (Fies) se transformou em uma modalidade de financiamento como outra qualquer. Deixou de ter função social.

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As inscrições para o Financiamento Estudantil (Fies), que financia alunos em cursos de graduação privados, abrem nesta quinta-feira (7), mas o programa deste ano está bem mais enxuto. Além disso, a queda do número de contratos nos últimos dois anos põe em dúvida a sua continuidade.

O número de contratos disparou durante o primeiro governo Dilma Rousseff (PT), de 76 mil em 2010 para 733 mil em 2014, com juros abaixo da inflação, obtenção do financiamento a qualquer momento do ano e prazo de quitação maior. Mas o programa começou a perder força no início do mandato seguinte, com 287 mil estudantes beneficiados em 2015.

Passado o boom, a oferta de financiamento recuou ao patamar do início da década - serão oferecidos 100 mil contratos por ano até 2021. Mas a demanda não para de crescer.

40% não têm como pagar mensalidade

Em 2010, 4,7 milhões de brasileiros estavam matriculados em cursos superiores privados. Nos oito anos seguintes, a população do país cresceu em 9,4%, enquanto a quantidade de alunos em faculdades privadas aumentou em 42%. Essa fatia representa quase 3/4 dos mais de 8 milhões de matriculados no ensino superior atualmente.

Segundo um estudo realizado pela Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes) em parceria a empresa Educa Insights, 40% dos estudantes não têm condições de arcar sozinhos com as despesas da mensalidade nos cursos de graduação. O mesmo levantamento aponta que 51% dos estudantes acharam que as últimas mudanças no Fies dificultaram o acesso ao programa e mais da metade dos estudantes nunca nem ouviu falar do P-Fies (quando o financiamento é feito por um banco privado).

Para o coordenador de Relações Internacionais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Leandro Tessler, o modelo do programa antigamente era ruim e sem controle, mas com as últimas mudanças ele passou a ser ineficiente. "O Fies se transformou em uma modalidade de financiamento como outra qualquer. Deixou de ter função social."

Do G1

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