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24/01/2018 às 07h08m - Atualizado em 24/01/2018 às 09h22m

Fuselagem do Globocop é retirada do mar e segue para perícia na Base Aérea da Aeronáutica, no Recife

Aeronave que presta serviços à TV Globo caiu na Praia do Pina, na Zona Sul da capital, na manhã desta terça (23), deixando dois mortos e um ferido.

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A fuselagem do Globocop, helicóptero que presta serviço à TV Globo e caiu no mar do Recife na manhã desta terça-feira (23), foi retirada da água por volta das 22h e levada, em um caminhão, para a Base Aérea da Aeronáutica, no bairro do Jordão, na Zona Sul da capital pernambucana, para passar por perícia. O acidente resultou na morte de duas pessoas e deixou uma gravemente ferida.

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Como a ideia inicial de emergir a aeronave com boias foi descartada, um guindaste foi utilizado para retirar a fuselagem do Globocop, que pesa cerca de duas toneladas e meia. Antes de começar a retirada do que sobrou do helicóptero, placas de ferro foram colocadas em cima do guindaste para evitar que ele caísse com o peso dos destroços.

"O equipamento está com capacidade operacional, configurado com todos os contrapesos, para retirar até quatro toneladas e meia de dentro da dágua. Fitas de operação de guindaste foram colocadas no helicóptero para ele ser içado", explicou Fernando Selva, representante da empresa responsável pelo guincho.

Em pouco mais de três minutos, o que sobrou da aeronave foi retirado totalmente de dentro do mar. O trabalho foi acompanhado por uma equipe da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Segundo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa II). Moradores da área onde aconteceu o acidente também foram ao local para conferir o resgate do Globocop.

"Foi um trabalho bem tenso, pois as condições do mar não estavam favoráveis, mas conseguimos executar com êxito. A sensação é de dever cumprido, pois tudo foi executado sem acidente", contou Alex Rodrigues da Silva, um dos dois mergulhadores que entraram no mar para retirar a fuselagem do helicóptero.

Apesar da presença do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar no local do acidente, algumas das peças do helicóptero foram retiradas ao longo do dia por moradores que acompanhavam o trabalho das corporações. Entre as peças retiradas da água, estava a cauda da aeronave, encontrada quebrada.

De acordo com o Seripa II, ainda não há como presumir o que causou a ruptura dessa estrutura específica. Os equipamentos retirados da água vão passar por análise.

As polícias Civil e Federal abriram inquéritos para investigar o caso. “[A fuselagem] vai ser periciada com calma para se chegar à conclusão dos motivos do acidente. Vamos reunir algumas filmagens, depoimentos de populares e a análise dos destroços para, ao final da investigação, chegar à conclusão do que aconteceu”, afirmou o delegado da Polícia Federal Dário Sá Leitão, à frente do caso.

VÍTIMAS

Das três pessoas que estavam na aeronave no momento do acidente, duas morreram. Uma delas, o piloto, Daniel Galvão, tinha 36 anos, era casado e não tinha filhos. Segundo o pai do piloto, Geraldo Galvão, Daniel era apaixonado pela aviação.

O velório de Daniel teve início às 18h desta terça (23), em uma funerária no bairro de Santo Amaro, no Centro do Recife, mas os parentes não quiseram falar com a imprensa. O enterro do piloto está previsto para as 11h da quarta (24), no Cemitério de Santo Amaro.
 
A outra vítima fatal do acidente é a 1º sargento da Aeronáutica Lia Maria Abreu de Souza, de 34 anos. Com 17 anos de atuação, ela já trabalhou em São Paulo e no Acre antes do Recife. Segundo a Aeronáutica, ela fazia parte do efetivo do Terceiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta III). Ela foi convidada pela Helisae, empresa dona da aeronave, para participar do voo na noite da segunda (22). 

De acordo com a Aeronáutica, o velório de Lia ocorre na manhã da quarta-feira (24), na Guarnição de Aeronáutica do Recife. O acesso será restrito ao efetivo da guarnição. Em seguida, o corpo da militar será levado para o Rio de Janeiro, onde estão seus parentes.

Sobrevivente da tragédia, o operador de sistemas Miguel Brendo Pontes Simões, de 21 anos, foi levado em estado gravíssimo, com politraumatismo e uma lesão grave na face, ao Hospital da Restauração (HR), na área central do Recife. Responsável pela captação, gravação e transmissão de imagens, ele passou por cerca de cinco horas de cirurgia e os médicos não descartam novos procedimentos. 

Ele segue na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da unidade de saúde, onde permanece sedado, respirando com a ajuda de aparelhos e em estado grave. Um novo boletim sobre o quadro clínico de Miguel tem divulgação prevista para as 8h da quarta (24).

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Globocop

Assim como Miguel Brendo, Daniel Galvão era funcionário da Helisae, empresa que presta serviços à TV Globo no Recife. Dono da empresa, o comandante Wagner Monteiro informou, em entrevista nesta terça (23), que a aeronave havia passado pela inspeção anual de manutenção no dia 16 de janeiro. Segundo ele, o helicóptero era mantido pelos padrões técnicos exigidos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e outros órgãos responsáveis. 

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