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21/01/2017 às 13h48m - Atualizado em 21/01/2017 às 15h14m

Em Pernambuco, Justiça Federal condena acusados de importar lençóis e tecidos contaminados dos Estados Unidos

Na época, hotel em Timbaúba também foi flagrado usando esses materiais descartados por hospitais americanos considerados nocivos à saúde.

Tecidos contaminados foram importados dos Estados Unidos
Timbaúba Agora com informações do G1 PE

A Jusstiça Federal em Pernambuco (JFPE) condenou dois acusados de importar e comercializar lençóis com material infectante e resíduos hospitalares para o polo de confecções no interior de Pernambuco. A dupla foi condenada a dois anos e quatro meses de reclusão, substituída por duas penas restritivas de direitos. Há possibilidade de os réus recorrerem da sentença para o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5).

De acordo com a decisão do magistrado, proferida na quarta (18) e divulgada nesta sexta (20), os réus tinham conhecimento da importação dos produtos. “Um dos acusados presenciou a abertura dos fardos e afirmou aos empregados que tais produtos não trariam risco à saúde, pois estavam esterilizados”, traz a sentença.

Lençóis descartados por hospitais americanos também foram encontrados em Timbaúba.

Na época, uma equipe de reportagem da Globo Nordeste esteve na cidade de Timbaúba e fez uma entrevista com o proprietário de um hotel que estava usando os materiais considerados nocivos à saúde, descartados de hospitais americanos.

Alguns lençóis estavam estendidos no varal de um hotel da cidade, dentro, as camas dos quartos estavam forradas com lençóis iguais. Neles, lê-se a inscrição “serviços de saúde”, em inglês. Apesar disso, o dono do hotel, disse que em nenhum momento suspeitou que os lençóis fossem de hospitais. “Usamos esses lençóis há quase dois anos. Eu comprava no comércio aqui, em Timbaúba mesmo. Olhava o tamanho do lençol, comprava, tudo novo, lavava e começava a usar. Eles tinham os preços mais em conta, nunca estranhei a inscrição, não tinha noção nenhuma do que poderia ser. Eu acredito que muita gente aqui compre, porque vende à vontade na porta do armazém. Comprei inocente, como qualquer outro que estava comprando. Só comprei porque o preço era mais em conta, e o material bom”, contou a reportagem.

Entenda o caso
A investigação teve início a partir de uma apreensão feita pela Receita Federal em 2011, no Porto de Suape. Na ocasião, foi apreendida uma carga de lençóis sujos com logotipos de hospitais dos Estados Unidos (EUA). Havia, também, fronhas com manchas de fluidos orgânicos e materiais hospitalares usados, como gazes, cateteres, aventais, luvas, seringas e máscaras.

Segundo a Receita, houve suspeitas do carregamento porque o valor da nota do primeiro contêiner era incompatível com o volume transportado. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) também avaliou o material e atestou que a mercadoria apresentava “forte odor característico de matéria orgânica em decomposição”.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), os tecidos eram considerados perigosos e nocivos à saúde humana, mas seriam destinados à fabricação de roupas nas cidades de Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru, no Agreste pernambucano.

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