20/01/2015 às 07h34m - Atualizado em 20/01/2015 às 07h53m

Rebelião no Complexo Prisional do Curado termina com policial militar e detento mortos e 29 feridos

Um dos mortos foi o sargento da Polícia Militar Carlos Silveira do Carmo, de 44 anos, e o outro o detento Edivaldo Barros da Silva Filho, 34.

Atualmente, o Complexo Prisional do Curado possui mais de 6 mil presos espremidos num espaço com capacidade para 1,3 mil detentos

Com duas mortes e 29 feridos, a rebelião de detentos do Complexo Prisional do Curado, na Zona Oeste do Recife, foi controlada nesta segunda-feira (19). A informação foi divulgada pela Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres). Um dos mortos foi o sargento da Polícia Militar Carlos Silveira do Carmo, de 44 anos, e o outro o detento Edivaldo Barros da Silva Filho, 34. Mesmo depois do anúncio do fim do rebelião, era grande a movimentação de ambulâncias entrando e saindo no complexo. O tumulto do lado de fora continuou. Familiares desesperados sem notícias dos detentos.

Carlos Silveira trabalhava na corporação há 24 anos e foi morto com um tiro na cabeça. Ele ainda chegou a ser atendido no Hospital Otávio de Freitas, mas não resistiu aos ferimentos. Em nota, a Polícia Militar de Pernambuco lamentou a morte do sargento e decretou luto oficial de três dias.

Segundo Assessoria da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, 24 feridos foram da unidade Agente Marcelo Francisco de Araújo, onde se concentrou o maior número de confusões ocasionadas pelos detentos. Na unidade Juiz Antônio Luiz de Lins e Barros, foram cinco feridos. A assessoria informou que nenhum deles corre risco de morte.

O CASO - Ainda pela manhã, o Batalhão de Choque da Polícia Militar foi acionado para conter um tumulto em um dos pavilhões do Complexo Prisional do Curado. Durante o dia, vários presos foram flagrados portando facas e facões (Ver imagens). Os detentos atearam fogo em colchões e o Corpo de Bombeiros também foi acionado.

COMPLEXO DO CURADO - É formado por três unidades: o Presídio ASP Marcelo Francisco de Araújo, o Presídio Frei Damião de Bozzano e o Presídio Juiz Antônio Luiz de Lins Barros. Atualmente, há pouco mais de 6 mil presos espremidos num espaço com capacidade para 1,3 mil detentos.

Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco disse que o delegado João Paulo Andrade, da 4ª Delegacia de Homicídios, foi designado para apurar a morte do sargento da Polícia Militar de Pernambuco, ocorrida no Complexo Prisional do Curado.

SISTEMA EM CRISE - Nos primeiros dias de janeiro, o novo governador de Pernambuco, Paulo Câmara, enfrentou a primeira crise no caótico sistema prisional do Estado. Em apenas quatro meses e uma semana como secretário de ressocialização, Humberto Inojosa renunciou ao cargo. Em seu lugar, assumiu o coronel da PM Eden Vespaziano. Na ocasião, o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico, anunciou também um pacote de medidas. A promessa mais ousada foi acabar com a circulação de armas brancas e celulares nas unidades prisionais, feita três dias depois da Rede Globo divulgar flagrantes registrados no Complexo do Curado. O sistema prisional do Estado é proporcionalmente o mais superlotado do Brasil, com déficit de agentes penitenciários e policiais militares para a segurança e monitoramento. Hoje, existem cerca de 31 mil detentos onde caberiam 10 mil deles.

No Complexo do Curado, uma rebelião foi deflagrada na véspera de Natal e por pouco detentos não conseguiram fugir por um túnel. A Globo divulgou imagens de presos circulando com facões e celulares, sem serem importunados, no complexo, a maior unidade do Estado. No último dia 7, o Batalhão de Choque foi ao local e fez uma varredura, encontrando cerca de 40 armas e celulares.


As informações são do Jornal do Comércio

Foto: Guga Mattos/JC Imagem

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