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13/01/2017 às 05h05m - Atualizado em 13/01/2017 às 05h14m

Em crise, prefeito de São Lourenço cancela Carnaval e deve parcelar salários

O investimento na festa foi uma das promessas de campanha de Pereira, que queria “colocar São Lourenço na agenda turística de Pernambuco”.

Com salários atrasados desde o ano passado e sem previsão para reformar equipamentos básicos como escolas e postos de saúde, o novo prefeito de São Lourenço da Mata, Bruno Pereira (PTB), tem que regularizar os pagamentos. Os cálculos dos débitos do município ainda não foram finalizados e as estratégias para solucionar o problema não foram definidas, mas o petebista deve parcelar o depósito dos funcionários. Além disso, decidiu cancelar o Carnaval.

O investimento na festa foi uma das promessas de campanha de Pereira, que queria “colocar São Lourenço na agenda turística de Pernambuco”. Ele afirma que assumiu com os planos de usar cerca de R$ 150 mil para apoiar prévias como as Virgens, bancar orquestras nos bairros, instalar um palco para shows à noite e realizar, na Terça-feira Gorda, dia 28, um desfile de agremiações populares.

“Com o caos como deixaram a prefeitura, mesmo gastando pouco, vamos deixar para ajudar para completar a folha”, afirmou o prefeito, disparando contra o antigo gestor, Gino Albanez (PSB), seu adversário nas últimas eleições. “Talvez não tivéssemos dinheiro para pagar o carnaval e ainda tem o problema da folha.”

Segundo Bruno Pereira, do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) do último dia 10, foram retidos R$ 2,7 milhões pela Receita Federal, e o único dinheiro para a prefeitura hoje é o da repatriação, que equivale a R$ 1,5 milhão. “Mesmo assim não dá nem para a folha de efetivos, que é de mais de R$ 5 milhões. Só a dos professores é de R$ 2,5 milhões. Com o Fundeb pagaram outras coisas”, afirmou o prefeito. Dos servidores, entre ativos e inativos, o atraso é de dezembro e do décimo terceiro. Os comissionados não receberam novembro e dezembro.

O gestor denuncia ainda que não recebeu a documentação. “Não sabemos o que foi pago. No período de transição pedimos informações, mas não deram. Ganharam tempo dizendo sempre ‘na próxima semana, na próxima semana’. Quando assumi a prefeitura, assumi no susto por causa das contas de energia, água e do dinheiro bloqueado. São déficits que a prefeitura hoje não tem como pagar”, disse. Para ele, o foco será a regularização do pagamento dos funcionários, que deve ser feita através do parcelamento de salários, “para não prejudicar as contas anuais”.

A nova gestão ainda está levantando informações sobre o número de escolas e postos de saúde. “Deixaram só uma ambulância funcionando, das 15. Assumimos a prefeitura sem o processo licitatório da coleta de lixo, que parou três dias antes do dia 31 e só retomamos na quinta-feira passada com uma dispensa de licitação. Todos os postos de saúde e as escolas estão sucateados”, reclamou.

Segundo ele, a gestão vai tentar deixar as escolas com “o mínimo necessário até uma reforma mais adequada” até o dia 2 de fevereiro, quando começa o ano letivo. Bruno Pereira afirmou que vai buscar parcerias com os ministros pernambucanos Mendonça Filho (Educação) e Bruno Araújo (Cidades) quando concluir as auditorias nas contas do município. Mas nem a previsão dele é das melhores: “Acho que ainda levamos seis meses para organizar a casa.”

Do Blog do Jamildo

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