08/01/2015 às 05h26m

Polícia encontra armas, drogas e celulares em unidade do Complexo do Curado

Operação contou com a participação de agentes penitenciários e do Batalhão de Choque

Uma revista no Pavilhão A do Presídio Marcelo Francisco de Araújo (Pamfa), no Complexo Prisional do Curado, na Zona Oeste do Recife, resultou na apreensão de facões, drogas e celulares, na manhã desta terça-feira (7). A ação foi realizada um dia após as denuncias de irregularidades nos presídios, onde pesaram a falta de policiamento em 60% das guaritas do complexo penitenciário estadual, publicadas com exclusividade pela Folha de Pernambuco, e as imagens divulgadas pela TV Globo, mostrando detentos portando armas brancas e celulares no bloco Frei Damião de Bozzano. Participaram da operação 36 agentes penitenciários e 48 policiais militares da Companhia Independente de Policiamento com Cães (CIPCães), Companhia Independente de Operações Especiais (Cioe) e do Batalhão de Choque da PM.

Entre os materiais encontrados, estavam 45 facões industriais, dez facas artesanais, sete litros de cola de sapateiro e 14 telefones celulares. Também foram apreendidos 400 gramas de maconha e mais 250 gramas de crack. A quantidade revela que as revistas estão sendo insuficientes. Para o juiz Luiz Rocha, da 1ª Vara de Execuções Penais do Recife, é necessário ter um efetivo, controle e eficácia maiores. “As cenas que presenciamos de agressão entre preso é um fato que ocorre muitas vezes por disputas externas, de controle de drogas, por exemplo. Nós precisamos, de fato, estar com o Estado mais presente e encontrar mecanismos e policiamentos para combater frontalmente essas situações”, pontuou.

A varredura, que começou por volta das 8h, durou cerca de quatro horas. Outros três pavilhões do presídio não foram revistados. Conforme a Secretaria-executiva de Ressocialização (Seres), são executadas, em média, três revistas semanais nas celas e corredores.

Condições precárias
Por meio de nota, o Sindicato dos Agentes e Servidores no Sistema Penitenciário do Estado de Pernambuco (Sindasp-PE) lamentou os fatos ocorridos e relatou que o Estado “vem descumprindo o básico em suas obrigações, que é dar condições laborais aos agentes penitenciários, que sofrem deficiências claras em seu trabalho por falta de efetivo”. O texto afirma, ainda, que a média é de 25 presos para um profissional, o que desobedece o número de cinco presos para cada agente, conforme resolução do Conselho Nacional de Política Criminal Penitenciária (CNPCP).

“No Presídio Frei Damião de Bozanno encontram-se uma média de quatro agentes por plantão. Estes, não raro encontram-se sozinhos e confinados na permanência (segurança), sem poder fazer o combate preventivo de fiscalização e rondas em pavilhões por falta do efetivo necessário que deveria ser de aproximadamente 150 agentes na unidade”, acrescenta a nota do Sindasp-PE. “A falta de condições de trabalho chega ao extremo com equipamentos de segurança vencidos (coletes), falta de capacetes, falta de munições não letais e letais, bem como falta de manutenção nas armas”, finaliza o texto.


Com informações da Folha de Pernambuco

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