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13/03/2018 às 10h37m - Atualizado em 13/03/2018 às 14h14m

Servidores do INSS são presos suspeitos de fraudes em benefícios rurais

Esquema desviou R$ 600 mil e tinha participação de sindicatos e de proprietários de terra; investigações continuam

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Uma operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (12) resultou na prisão de dois servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de Delmiro Gouveia e de mais uma pessoa que funcionava com intermediária em um esquema de fraude de benefícios rurais. Os três foram presos em Delmiro e Canapi.

Segundo a PF, eles atuavam junto a uma quadrilha responsável por fraudar  Aposentadorias Rurais, Pensões por Morte Rurais e Salários Maternidade Rurais. Os crimes eram cometidos por meio da agência de Delmiro Gouveia e as investigações apontam prejuízo de cerca de R$ 600 mil aos cofres públicos. 

"Na amostragem foram encontrados 21 benefícios fraudados, com prejuízo de R$ 600 mil. A economia, porém, foi de R$ 3 milhões, que é o que essas pessoas receberiam caso a quadrilha não fosse desarticulada", diz o coordenador geral de Inteligência Previdenciária do Ministério da Fazenda, Marcelo Henrique de Ávila.

As apurações foram iniciadas em 2016, a partir de denúncias recebidas pelo órgão. As informações davam conta da participação de sindicatos rurais na elaboração de declarações faltas para comprovação na previdência. Servidores da agência também facilitavam o processo.

"Pessoas que não eram trabalhadores rurais obtinham documentos como se morassem em propriedades rurais e pessoas ligadas ao sindicato dos trabalhadores e trabalhadoras rurais emitiam certidões para subsidiar o processo junto ao INSS", explica o delegado regional executivo da PF, Milton Rodrigues. 

A documentação fornecida era o comodato rural, expedidos por proprietários de terra que também participavam do esquema. Apesar disso, a maioria dos processos era relativa a moradores de Água Branca e Canapi.

"Eles forneciam esse documento mediante benefício financeiro. Com isso era dada entrada no processo junto à agência de Delmiro, com a participação de servidores. Os intermediários que participavam do esquema tinham livre acesso à agência e facilidade de fazer toda a gestão da quadrilha para fraudar a previdência", aponta Marcelo. 

A polícia investiga agora a participação de mais pessoas no crime. "Estão acontecendo buscas na casa de outro servidor e na própria agência. A investigação ainda está em andamento e de posse do material vamos fazer uma análise mais profunda e verificar outros benefícios concedidos irregularmente", conta o coordenador. 

Além dos dois funcionários da agência e do intermediário, a operação Terra Prometida prendeu ainda uma terceira pessoa, flagrada em casa com uma arma de fogo sem registro. Os mandados são da Justiça Federal de Santana do Ipanema, que também expediu 21 de buscas e apreensões com oitivas de testemunhas e investigados.

Os envolvidos, que já participavam do esquema há cerca de cinco anos, podem ser indiciados por estelionato eleitoral, com pena de um a cinco anos; inserção de dados falsos, com pena de dois a seis anos de reclusão; e formação de quadrilha, com pena de um a três anos.

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